sábado, 10 de dezembro de 2011

Para não gritar:I TRY!

Caio Fernando, o 'divo' da minha vida, escreveu 'Acabo sempre 
fazendo coisas para não gritar, como contar esta história'.
Então, acabei que, enquanto estava ouvindo uma música, num 
dia confuso, com várias coisas na cabeça, com muito medo em
mim, para não gritar, escrevi algo quer gritasse por mim, em linhas.
Expulsei o medo de mim com lágrimas e palavras rascunhadas.


Essa foi a música linda que me resgatou todo o meu eu, e com ele
todo meu medo.
http://www.youtube.com/watch?v=ZFMzEfEWe8o




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I try.


          A gente fez planos de ser um casal saudável, mas as mentiras que 
um de nós contou já deixou tudo apodrecendo aos poucos. Perdendo o brilho.
Mesmo que ‘aquilo’ que dá o tom luminoso e brilhoso, que é o amor, não tenha
acabado, o brilho está se perdendo. 
          Nos nossos planos também dissemos que seriamos daqueles casais 
que não brigam, mas agora elas são inevitáveis. E depois de uma primeira, 
tudo vira 'costume'; e com a ferida aberta de cada briga, qualquer pequena 
coisa vai doendo do mesmo modo que algo grandioso, pois a ferida ainda está
exposta.
          E aí a gente vai perdendo o brilho e o desgaste vai aumentando, 
o amor vai ficando menor que o medo. Novas perguntas vêem para 
reafirmação de coisas que não precisam ser reafirmadas por ninguém e 
para ninguém. Tudo vai se perdendo. Só resta o nó na garganta; o medo 
eminente de perder.
          Cada ato pra tentar amenizar acaba virando mais motivo pra briga.
E Chega um dia que todos os planos são só recordações.

- Lembra que a gente pensava que seriamos daqueles casais que nunca brigam?
- Lembro. E seria tão bom.
- Seria.
- Errei. Erramos. Fizemos um planos e nem olhamos pra ele. Enquanto estava se 
realizando, nos lembrávamos dele, mas quando tudo se desviou dele, nos esque-
cemos. Pelo desespero, pela dor,talvez.
- É.
- Gostaria de ter sido como nos nossos planos. Seriamos melhores se ainda tivés-
semos um ao outro como tínhamos.
- ...
- Eu te amo sabe, e as vezes isso dói tanto.
- Dói?
- Dói, por eu querer te poupar de todo o resto do mundo, pra ter você bem
 pra mim. Mas as vezes eu não consigo poupar nem a você nem a mim do 
resto do mundo, e aí vem o desgaste e tudo aquilo que já dissemos.
- Também dói em mim...
- Nós desviamos a atenção do que realmente importa, que somos nós, pro que não tem importância. Antigamente a gente se bastava.
- A gente ainda se basta.
- Só quando nós nos temos integralmente. Se isso não acontece, as duvidas e inseguran-
ça são maiores do que tudo. A gente já não se basta. 
- ...
- Sinto sua falta. Preciso desligar.